Do “tempo da pobreza” ao palanque político: discursos no UMAADT expõem mistura de fé e poder


Durante o Congresso da União de Mocidade da Assembleia de Deus em Timon (UMAADT), a fala do presidente da igreja, pastor Euvaldo Sá, trouxe à memória a origem simples do deputado federal Pastor Gil: “do tempo que ele era pobre, dormia lá em casa, até numa rede”, afirmou o líder religioso, em tom de lembrança pessoal.

A declaração foi seguida pelo próprio Pastor Gil, que, no púlpito, reafirmou sua identidade de “pastor deputado e não deputado pastor” e disse sentir-se “refém da igreja e das orações do pastor Euvaldo”.


O episódio evidencia um ponto sensível: a pobreza de outrora é usada como narrativa de aproximação, mas também como instrumento político. Ao mesmo tempo em que exalta sua humildade do passado, o deputado reforça seu vínculo de dependência com a igreja — que, por sua vez, legitima seu mandato perante os fiéis.


O UMAADT, evento voltado à juventude, acabou se transformando em vitrine onde a trajetória de dificuldades pessoais foi convertida em capital político. A lembrança da rede e da casa simples, em vez de apenas um testemunho espiritual, tornou-se pano de fundo para o fortalecimento de um projeto de poder que mistura púlpito e parlamento.

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